23/12/2009
Valorização da Vida!
Fala-se muito em direitos humanos. Mas o que se percebe são conseqüências danosas inerente a cada ser humano, numa estranha contradição. Exatamente quando se anunciam os direitos do ser humano, quando se afirmam publicamente o valor da vida, esse mesmo direito à vida é negado e calcado aos pés, particularmente nos momentos preciosos da vida, o nascer e o morrer. Estamos vivendo um relativismo inconteste, o próprio direito deixa o ser, porque não esta mais firmado na inviolável dignidade, mas sujeito ao arbítrio, à vontade mais forte. Quais são os valores morais na atualidade? Em síntese o orgulho, a vaidade, o egoísmo. É importante a instauração de questões e dúvidas ante a cega certeza dos preconceitos e das crendices existentes no campo dos valores morais e religiosos, que orientam a conduta dos indivíduos, mas também servem de alicerces às instituições. Onde está a raiz desta conspiração contra a vida? A raiz esta na ausência do sentido de Deus, que implica na ausência do sentido do homem. Esse processo produz o materialismo, conduz a vida exclusivamente para os gozos, os bens materiais, proliferando o individualismo e o hedonismo que é a doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível. Dessa forma invertem-se os valores. O SER fica substituído pelo TER. O materialismo existente na atualidade, destroe as relações humanas. O ser humano, é avaliado não por aquilo que ele “é”, mas sim por aquilo que ele “tem, faz e rende”. Tudo em busca do lucro mais fácil, mais rápido. Os primeiros a serem atingidos são a mulher, a criança, o enfermo, o idoso. A avaliação pessoal da dignidade do ser – do respeito e do trabalho – são substituídos pelos critérios da eficiência, da funcionalidade, da utilidade. A presença do mais forte sobre o mais fraco. É a ausência de Deus nos corações. No campo do respeito à vida, Jesus no Sermão da Montanha, expõe e pede aos seus discípulos uma Justiça superior à dos escribas e fariseus, quando diz: “Porque vos digo que, se a vossa Justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus” (Mt. 5,20). As contradições que constatamos é que o ensino, o exemplo de Jesus não esta sendo compartilhado pelos homens e a maioria de nossos parlamentares, autoridades que detém o poder, se dizem “cristãos”. Dessa forma leis que tendem a legitimar a eliminação de seres humanos, por quaisquer métodos (aborto, eutanásia, fome, guerras, etc.) estão em contradição total com o direito natural à vida, próprio de todos os seres, pois que negam a igualdade de todos perante a lei. Assim se governantes legislarem algo contra a ordem natural da vida, tais prescrições não podem obrigar a consciência dos cidadãos, e neste caso, a própria autoridade deixa de existir, porque implicitamente caracteriza-se um abuso de poder. São Thomas de Aquino pontifica: “A lei humana tem valor de lei enquanto está de acordo com a reta razão: derivando, portanto, da lei eterna. Se, porém, contradizer a razão, chama-se lei iníqua e, como tal, não tem valor, mas é um ato de violência. Toda a lei constituída pelos homens tem força de lei só na medida em que deriva da lei natural. Se, ao contrário, em alguma coisa está em contraste com a lei natural, então não é lei, mas sim, corrupção da lei. (Suma Theologiae – Sto Thomas de Aquino). Leis que autorizam e favorecem o aborto, a eutanásia, a proliferação das guerras de conquista, o desemprego, a marginalização do ser humano, a falta de assistência aos necessitados e idosos, colocam-se contrárias ao bem da pessoa e ao bem comum, contrárias ao bom senso, contrárias às leis naturais, e assim, por conseguinte, precisam de autentica validade jurídica. Conclui-se que uma lei civil que legitima tais abusos morais e éticos deixa, por isso mesmo, de ser uma verdadeira lei civil, moralmente obrigatória. É urgente uma mobilização geral, um esforço ético comum, com a finalidade de colocar em campo uma tática e uma estratégia a favor da vida. Todos nós que proclamamos Jesus autor da vida ( Jo. 10,10) precisamos elaborar e construir uma nova cultura da vida. Oremos sempre:”manifestai Senhor vosso amor pelo poder do Espírito Santo, para renovar a face da terra”.

