23/11/2007

Sexualidade Um Dom De Deus – Amor Verdadeiro e Castidade

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Chama-se CASTIDADE, o reto uso das funções sexuais. Estas existem no ser humano, por desígnio do Criador, a fim de proporcionar ao homem e à mulher complementação mútua, da qual a prole é muitas vezes a expressão natural. 

Consiste na abstenção do uso do sexo. Verdade é que o indivíduo, durante a vida inteira é marcado pelas caracteristicas masculinas ou femininas do seu sexo (timbre de voz, tipo de pele, de mãos…) das quais ele não se pode isentar; mas nem por isto está obrigado ao exercício da sexualidade, que se chama “a genitalidade”. 

Sem duvida, há quem julgue que este é obrigatório desde que desperte o apetite sensual no adolescente; tal concepção é falsa; ao contrário, está comprovado que a continência pré-matrimonial é fator de saúde e penhor de fidelidade e felicidade no casamento. 

As vitórias sobre as paixões desregradas requer o treinamento da vontade, que deve ser bastante forte para dizer SIM e dizer NÃO quando o bom senso o exija. 

A CASTIDADE supõe um domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. 
Assim ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa comandar por elas e se torna infeliz (CIC 2338). 

Todos nós sabemos que a castidade exige que se evitem certos pensamentos, palavras e ações pecaminosas, como Paulo teve que esclarecer e recordar: (Rm. 1,18; 6, 12-12; I Cor. 6,9-11; II Cor. 7,1; Gl 5,16-23; Ef.4,17-24: 5, 3-13; Cl. 3, 5-8; I Ts 4, 1-18; I Tm 1, 8-11; 4,12) .
A vocação ao amor tem duas formas de se realizar: AMOR VIRGINAL e AMOR CONJUGAL. Ninguém pode dar aquilo que não possui; se a pessoa não é senhora de si – por meio da virtude e da castidade – falta-lhe aquele autodomínio que a torna capaz de se dar.

É óbvio que quando se cresce no amor, implica-se ao Dom sincero de si mesmo, ajudado pela disciplina dos sentimentos, das paixões e dos afetos que nos faz chegar ao auto – domínio .

A CASTIDADE requer uma capacidade e uma atitude de domínio de si, que são sinal de liberdade interior, de responsabilidade para consigo mesmo e para com os outros e, ao mesmo tempo, testemunham uma consciência de fé.

Este domínio de si comporta o evitar as ocasiões de provocação e de incentivo ao pecado, como o saber superar os impulsos instintivos da própria natureza.

As conversa frivolas, as piadas imorais, as revistas, vídeos e outros meios, estão constantemente bombardeando nossas mentes, provocando sensações de prazeres e desejos e se não soubermos, com liberdade, evitar estas ocasiões, caímos no pecado.

Para muitos de nós viver, trabalhar ou permanecer em ambientes onde se ofende e deprecia a castidade, seja virginal ou conjugal, pode exigir uma luta dura, às vezes heróica. Mas de qualquer maneira, com a Graça de Jesus Cristo, todos podem viver castamente mesmo que se encontrem em ambientes pouco favoráveis.

O próprio fato de todos serem chamados à santidade, como recorda o Concílio Vaticano II, torna-se mais fácil de compreender que, tanto no celibato quanto no matrimonio, possam existir – e até, de fato acontecem a todos de um modo ou de outro – situações que são indispensáveis atos heróicos de virtude.

Também a caridade (amor) se ressente da falta de castidade, pois o homem carnal se torna egoísta, manipulador, fechado aos interesses alheios. 

A vida casta é bela, pois permite a manifestação do específico humano, ou seja, permite a elevação das funções vegetativas e sensitivas ao plano espiritual; sem ser sufocadas, tais funções entram na construção de alguém que foi feito à imagem e semelhança de Deus.

A CASTIDADE não é a primeira das virtudes; a primeira, a que está na base da vida cristã, é a fé. A consumação desta é a caridade, que São Paulo chama “o vínculo da perfeição” (Cl.3,14). 

A CASTIDADE, porém, suscita o clima necessário para que estas duas virtudes desabrochem e, com elas, as demais. Isto é evidente no que concerne a fé: muitas vezes os afetos desregrados prejudicam o modo de pensar da pessoa. 

Santo Agostinho observa que, enquanto cedia às paixões, não conseguia encontrar a verdade (Confissões X 41). 

 

CASTIDADE CONJUGAL

“Todas as pessoas casadas são chamadas a viver a castidade conjugal; as outras praticam a castidade na continência” (CIC 2349)

Consiste em que os cônjuges pratiquem a genitalidade em respeito mútuo, sem concessão a afetos desordenados, e em conformidade com as leis da natureza. 

Em consequência, o sexo oral, o sexo anal e a homossexualidade, por serem aberrações que ferem a natureza, são rejeitados pela lei de Deus. 

Todos os pais devem saber que para educar os filhos para uma vida de castidade e para a santidade, consiste em viverem eles mesmos a castidade conjugal. 

Isto implica que o casal esteja conscientes de que no seu amor está presente o amor de Deus e, por isto, também a sua adoção sexual deverá ser vivida no respeito de Deus e do seu desígnio de amor, com fidelidade, honra e generosidade.

Todo cristão é chamado a viver no matrimonio, essa doação dentro da própria relação pessoal com Deus, como expressão de fé do seu amor para com Deus e assim com a fidelidade e a generosa fecundidade que caracterizam o amor divino.
Jesus diz: “Se me amardes, observareis os meus mandamentos” (Jo.14,15). 

Amar o Senhor implica em responder positivamente aos seus mandamentos, assim, só se responde ao amor de Deus e se cumpre sua vontade, vivendo com fidelidade.

Homem e mulher, para viverem a castidade, têm necessidade da contínua iluminação do Espírito Santo. Na espiritualidade conjugal está a castidade, não só como virtude, formada pelo amor, mas como virtude liga aos dons do Espírito Santo – antes de mais ao Dom do respeito que vem de Deus - 

 

A CASTIDADE CONSAGRADA – CELIBATO

A castidade Consagrada, nos casos femininos, é chamada virgindade consagrada (embora possa existir a perda, voluntária ou involuntária, da virgindade física). 

Nos casos masculinos, é o Celibato. Consiste na entrega de todo o ser humano com seus afetos diretamente ao Senhor e ao serviço do seu Reino. Corresponde a uma vocação especial e supõe um dom próprio do Senhor ( cf. I Cor. 7,7) ; não implica menosprezo do matrimônio, que é santificado por um Sacramento, mas de certo modo, vem a ser baliza ou referencial para todos os cristãos, pois todos, direta ou indiretamente, são chamados a se consagrar ao Senhor e aos interesses do seu Reino. 

O celibato tem um valor positivo evidente como total disponibilidade para o exercício do ministério sacerdotal ou de vida leiga consagrada com um coração indiviso; tem um valor de sinal de testemunho do amor total pelo Reino dos Céus.

O celibato transcende os caminhos comuns e implica em empenho total da pessoa. Não se conserva o celibato senão mediante a colaboração com a graça de Deus; mais que uma lei eclesiástica, o celibato deve ser visto como uma qualificação, a qual é conferido o valor de uma oferta publica diante da Igreja.

O celibato é portanto uma oferta, uma oblação, um verdadeiro e próprio sacrifício de caráter público além de pessoal ; não é uma simples renuncia a um sacramento – qual é o matrimônio -pelo Reino de Deus. 

Quem faz o celibato, deve conceber esta forma de vida, não como imposta de fora, mas antes como a manifestação da sua livre doação, que é aceita e ratificada pela Igreja.

 

A CASTIDADE PÓS-MATRIMONIAL

Podemos chamar também a castidade da viuvez que também é bela; tem seu protótipo na figura de Judite, a viuva fiel ao Senhor, que salvou seu povo, munida de um dom especial. 

São Paulo, em suas epístolas pastorais, atribui às viuvas na Igreja funções próprias, correspondentes à sua experiência de vida ( cf. I Tm 5, 3-16) .

Concluindo, a castidade é preciosa em nossos dias, quando muitas pessoas, impelidas pelo erotismo, se tornam vitimas do vazio e da frustração, e não vêem mais sentido para a sua vida, as drogas e o suicídio as ameaçam. A pratica da castidade é um sinal que chama a atenção, pois mostra que alguém pode ser plenamente feliz e realizado atendendo a outros apelos que não os das paixões desregradas; manifestam-se assim outros valores que o Senhor Jesus apregoou e o Apóstolo Paulo explanou muito enfaticamente (cf. Mt 19,12; I Cor 7,25-35). 

É em Deus e na fidelidade incondicional aos seus desígnios que a criatura encontra a sua consumação. 

Para poder viver a castidade, recomenda-se três elementos muitos importantes: 

1) a educação da vontade, sem a qual ninguém atinge meta alguma; é ilusório crer que, dizendo SIM a todos os impulsos, alguém possa conseguir felicidade e auto-realização; 

2) o pudor, que é o respeito pelo corpo, Templo de Deus; é também a delicadeza de ânimo, que reconhece o sentido das funções que o homem tem em comum com os outros viventes;

3) a oração, fonte de força e nobreza, pois é a alavanca que o ajuda a sair de toda fossa e encruzilhada e lhe comunica o indizível sabor da presença de Deus, muito mais atraente do que qualquer outro. 

Podemos ler no Novo Catecismo da Igreja Católica, parágrafos belos sobre a castidade, que podemos estudar: CIC: do parágrafo 2337 a 2350.

 




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