09/07/2009
Papa pede, na crise, compromisso urgente pelo bem comum
Papa pede, na crise, compromisso urgente pelo bem comum
Exorta os fiéis a rezarem pela cúpula do G8
Bento XVI pediu, nesta quarta-feira, uma revisão urgente das estruturas sociais e econômicas mundiais visando ao bem comum, ao apresentar pessoalmente sua encíclica Caritas in veritate, publicada ontem.
Em particular, o Papa chamou a atenção sobre o “drama da fome e da segurança alimentar, que afeta uma parte considerável da humanidade. Um drama de tais dimensões interpela nossa consciência: é necessário enfrentá-lo com decisão, eliminando as causas estruturais que o provocam e promovendo o desenvolvimento agrícola dos países mais pobres”.
Neste sentido, pediu aos fiéis cristãos que rezassem “pelos chefes de Estado e do governo do G8, que se reúnem nestes dias em L’Aquila”. “Que desta importante cúpula mundial brotem decisões e orientações úteis para o verdadeiro progresso de todos os povos, especialmente dos mais pobres”, desejou.
Depois da divulgação de sua terceira encíclica, dedicada à justiça social, nesta terça feira, o próprio pontífice quis ilustrá-la com algumas de suas ideias aos milhares de peregrinos dos cinco continentes reunidos na Sala Paulo VI do Vaticano.
Esta encíclica se enlaça com o ensinamento da Populorum Progressio, que Bento XVI definiu como “pedra angular do ensinamento social da Igreja”, na qual se traçam “algumas linhas decisivas – e sempre atuais – para o desenvolvimento integral do homem e do mundo moderno”.
“A situação mundial, como amplamente demonstra a crônica dos últimos meses, continua apresentando muitos problemas e o “escândalo” de desigualdades clamorosas, que permanecem apesar dos compromissos adotados no passado”, afirmou em referência particular à crise econômica e financeira global.
Neste sentido, advertiu, é urgente uma reforma do sistema econômico e social “demorar mais tempo para superar a brecha no desenvolvimento dos povos”.
Líderes responsáveis
O Papa assegurou que “um futuro melhor para todos é possível quando se funda na descoberta dos valores éticos fundamentais. É necessária, portanto, uma nova projeção econômica que volte a desenhar o desenvolvimento de forma global, baseando-se no fundamento ético da responsabilidade diante de Deus e diante do ser humano como criatura de Deus”.
Esta nova contribuição do magistério social da Igreja pretende, explicou o Papa, “recordar os grandes princípios que se revelam indispensáveis para construir o desenvolvimento humano nos próximos anos”.Entre estes, indicou como fundamentais o respeito à vida e à liberdade religiosa e sobretudo “a rejeição de uma visão prometeica do ser humano, que o considera artífice absoluto do seu próprio destino”.
Na situação atual, afirmou o Papa, “é preciso contar com homens retos, tanto na política quanto na economia, que estejam sinceramente atentos ao bem comum”.
Neste sentido, o Papa apelou à participação de todos na vida política, especialmente os homens de Estado e a mídia. Pediu sobretudo aos líderes econômicos e sociais que se professam cristãos, para que “advirtam quão importante é a coerência do seu testemunho evangélico no serviço que oferecem à sociedade”.
A economia, segundo o Papa, “tem necessidade da ética para seu funcionamento correto; precisa recuperar a importante contribuição do princípio de gratidão e da ‘lógica do dom’ na economia do mercado, em que a regra não pode ser o próprio proveito”. “Mas isso só é possível graças ao compromisso de todos, economistas e políticos, produtores e consumidores, e pressupõe uma formação das consciências que dê força aos critérios morais na elaboração dos projetos políticos e econômicos”, acrescentou.
É necessário “um estilo diferente de vida por parte de toda a humanidade, no qual os deveres de cada um com relação ao ambiente se unam aos da pessoa considerada em si mesma e em relação com os demais”.
Outra das necessidades urgentes, afirmou é a de “uma autoridade política mundial regulada pelo direito, que se atenha aos mencionados princípios de subsidiariedade e solidariedade e que esteja firmemente orientada pela realização do bem comum, no respeito às grandes tradições morais e religiosas da humanidade”.
Não somente o material
Neste sentido, o Papa insistiu na importância de que não se contemplem somente as necessidades materiais do homem, mas também suas necessidades de ordem espiritual, especialmente a necessidade de liberdade religiosa.
“O Evangelho nos recorda que não só de pão vive o homem: não só com bens materiais se pode satisfazer a profunda sede do seu coração. O horizonte do homem é, sem dúvida, mais alto e mais vasto; por isso, todo programa de desenvolvimento deve ter presente, junto ao material, o crescimento espiritual da pessoa humana, que está dotada de alma e corpo.”
Este, concluiu, “é o desenvolvimento integral, ao que constantemente se refere a doutrina social da Igreja, desenvolvimento que tem seu critério orientador na força propulsora da ‘caridade na verdade’”.
Fonte: Zenit
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