22/01/2008
Papa alenta reforma dos estudos eclesiásticos
Bento XVI alentou hoje a reforma dos estudos eclesiásticos de Filosofia, ao receber em audiência os participantes da assembléia plenária da Congregação para a Educação Católica.
Como o próprio Papa explicou em seu discurso, esta reunião, presidida pelo cardeal polonês Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação vaticana, deve «analisar atentamente os projetos de reforma» que afetam as universidades católicas e as faculdades eclesiásticas.
Em primeiro lugar, ele se referiu «à reforma do estudo eclesiástico de Filosofia, projeto que já chegou à fase final de elaboração, na qual não se deixará de sublinhar a dimensão metafísica e sapiencial da filosofia, proposta por João Paulo II», afirmou, citando o número 81 da encíclica Fides et ratio.
O Papa propôs também «avaliar a oportunidade de uma reforma da constituição apostólica Sapientia christiana», assinada pelo Papa Karol Wojtyla em 1979, «a magna carta das faculdades eclesiásticas».
Esse documento, declarou, «serve de base para formular os critérios de avaliação da qualidade dessas instituições, avaliação exigida pelo Processo de Bolonha, do qual a Santa Sé se converteu em membro a partir de 2003».
Este Processo recebe o nome da Declaração, assinado em 1999 na cidade italiana de Bolonha pelos ministros de educação da União Européia. Trata-se de um processo de convergência que tem como objetivo facilitar um efetivo intercâmbio de titulados.
Tudo isso conduziu à criação do Espaço Europeu de Educação Superior, um âmbito ao qual se incorporaram países inclusive de fora da União Européia e que serve de marco de referência para as reformas educativas que muitos países iniciaram nos primeiros anos deste novo século.
Neste contexto, o Papa analisou também a situação do ensino teológico.
«As disciplinas eclesiásticas, sobretudo a teologia, estão submetidas hoje a novos interrogantes, em um mundo que experimenta, por uma parte, a tentação do racionalismo, que segue uma racionalidade falsamente livre e desligada de toda referência religiosa, e por outra, a dos fundamentalismos, que falsificam a verdadeira essência da religião, incitando à violência e ao fanatismo», afirmou.
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 (ZENIT.org)

