23/11/2007
Marcos – Introdução
MARCOS – Cujo nome significa ‘SERVO DE MARTE” – é o nome romano da pessoa chamada de João Marcos. Ou simplesmente João. Em várias passagens dos Atos dos Apóstolos.
Era costume entre os antigos súditos do Império Romano a adoção de dois nomes.
Alguns identificam MARCOS com aquele personagem da Paixão de Cristo (Mc 14,15) que escapou nu, deixando sua túnica com os inimigos do Senhor, que desejavam prendê-lo. Certamente foi discípulo do Apóstolo PEDRO e companheiro do Apóstolo PAULO em sua primeira viagem missionária.
A família de MARCOS era qualificada entre os judeus, pois em sua casa reuniam-se os cristãos da primitiva comunidade de Jerusalém para orarem, como vemos em Atos 12, 12.
MARCOS era primo ou sobrinho de Barnabe, e uniu-se a ele na evangelização da Ilha de Chipre (Atos 15,36-39)
Mais tarde MARCOS voltou a reunir-se com PEDRO ou PAULO na cidade de Roma ( Cl 1, 24) Paulo se refere a MARCOS ASSIM: “Saúda-te Marcos meu colaborador”
MARCOS não foi dos doze Apóstolos, mas discípulos deles. Especialmente de PEDRO que o chama de “filho” (I Pr 5,13) – talvez porque o tenha batizado.
MARCOS foi companheiro de Paulo no começo de sua primeira viagem missionária ATOS 13,5. – Mas não prosseguiu até o fim ATOS 13,13.
Foi pôr isso que PAULO não o quis levar em sua Segunda expedição missionária – ATOS 15, 37-40 -
Marcos reaparece como colaborador de PAULO no primeiro cativeiro romano do Apóstolo – Cl. 4,10 – No fim da sua vida PAULO faz um elogio: “é-me útil ao ministério” ( II Tm 4,11)
A história eclesiástica – conforme Eusébio – faz um depoimento a respeito da autoria Do segundo Evangelho à MARCOS:
“Marcos, intérprete de Pedro, escreveu com exatidão, mas em ordem, tudo aquilo que recordava das palavras e das ações do Senhor; não tinha ouvido e nem seguido o Senhor, mas, mais tarde…Pedro.
Ora, como Pedro ensinava adaptando-se às várias necessidades dos ouvintes, sem se preocupar com oferecer composição ordenada das sentenças do Senhor, Marcos não nos enganou escrevendo conforme se recordava; tinha somente esta preocupação; nada negligenciar do que tinha ouvido, e nada dizer de falso”
Este depoimento e autenticado pelo exame do texto do próprio Evangelho.
EXEMPLO :
a) Os limites do Evangelho são exatamente os limites propostos pelo discursos de Pedro – (Atos 1, 2 – Atos 10, 37) – desde o batismo ministrado pôr João até a glorificação de Jesus, sem tocar em cenas da infância do Senhor – Mc. 1, 1-4 = 16, 19s.
b) Pedro ocupa um lugar saliente em MARCOS -( Mc 1,29-31.36 = Mc 5,37 = Mc 9, 2-6 = Mc 11,36 = Mc 14,33.
Pedro é explicitamente nomeado em MARCOS enquanto nas passagens paralelas MATEUS e LUCAS o silenciam;
· Comparemos entre si Mt 21,20 e Mc 11,21;
· Também em Mt 24,3; Lc 21,7 e Mc 13,3;
· Também Mt 28,7 e Mc 16,7.
De modo especial, em MARCOS as falhas de PEDRO são salientadas -(Mc 8,32s ; 14,37.66-72) e é silenciado o que redundaria em honra de PEDRO (o caminhar sobre as águas, Mt 14,28-31) e a promessa do primado, (Mt 16,17-19)- o que só se explica bem a pessoa de Pedro é indiretamente a responsável pela redação do Evangelho de Marcos.
c) O segundo Evangelho se compraz em citar alguns termos aramaicos, guardando o sabor original da catequese dos Apóstolos: assim Boanerges ( Filhos do Trovão), em Mc 3,17; Talitha Koum (Filha, levanta-te), em Mc 5,41; Ephphata ( Abre-te), em Mc 7,34; Abba (Pai), em Mc 14,36; Eloi, Eloi, lama sabachthani (Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?), em Mc 15,34 – Isto revela que o autor do segundo Evangelho era um judeu que transmitia uma catequese outrora concebida em aramaico.
O estilo de MARCOS é muito simples, quase não recorrendo a subordinação de frases – o que bem corresponde ao gênio literário dos semitas.

