23/11/2007
Marcos – A Mensagem
MARCOS é sóbrio em todos seus discursos – rico nas narrativas – apresentando pormenores que torna o Evangelho muito movimentado e colorido.
MARCOS é o mais breve dos evangelistas – conta 673 versículos
MATEUS conta 1.068 versículos
LUCAS conta 1. 149 versículos
Vejamos a maneira de como MARCOS é breve
a) Dos 5 discursos de MATEUS – MARCOS só registra 2
b) Marcos 4, 1-34 – registra 3 parábolas em vez de 7.
As narrativas de MARCOS são mais minuciosas e vivas – ( do que em Mateus que não se detém em pormenores) Veja-se:
- Marcos 1, 35-39 e Lucas 4, 42-44 / Marcos 9, 14-27 e Mateus 17,14-18
- Marcos 2, 1-12 e Mateus 9, 1-8 / Marcos 10, 23-27 e Mateus 19,23-26
- Marcos 5, 1- 17 e Mateus 8, 28-34 / Marcos 10, 46-52 e Mateus 20, 29-34
- Marcos 5, 21-43 e Mateus 9, 18-26 / Marcos 11,12-24 e Mateus 21, 18-22
- Marcos 8, 14-21 e Mateus 16, 5-12 / Marcos 11,27-33 e Mateus 21, 23-27
Muito típica é a comparação de MATEUS 21, 1-22 com MARCOS 11, 1-25.
Tenha-se em conta a seguinte ordem de acontecimentos:
Domingo de Ramos : Solene entrada em Jerusalém – Mt 21, 1-11 / Mc 11,1-11
Expulsão dos vendilhões do Templo -Mt 21,12-17
Segunda feira : Jesus faz secar uma figueira – Mt 21, 18s / Mc 11, 12-14
Interrogado, explica o que fez -Mt 21, 20-22 / Mc 11, 15-19
MATEUS tem em vista mais a catequese – reúne num só dia o que se deu em Jerusalém – e em outro dia o que se deu fora de Jerusalém
MARCOS escreve a realidade dos acontecimentos, pôr isso mais cheia de movimento .
As narrações de MARCOS cheia de grande vivacidade, não se deve somente ao seu temperamento, mas também à figura de Pedro que está pôr trás da sua redação.
EXEMPLOS DAS MENSAGENS DE MARCOS
1- As multidões cercam e comprimem Jesus não lhe deixando tempo de comer:
- Mc 1, 37-45; Mc 2, 1-4.13; Mc 3, 7-20s31s; Mc 4, 1 ; Mc 5,21.27.38-40
- Mc 6, 31-34.55s
2- Os atos de Jesus suscitam admiração e reverência:
- Mc 1, 22.27.45; Mc 2,12; Mc 4, 41; Mc 5, 20.42; Mc 6, 2s; Mc 10,32
-( observar Mateus 20,17 e Lucas 18,31) -
3- Os afetos de Jesus são anotados com muitos detalhes:
- Mc 3, 5.34; = Mc 5, 32; = Mc 8, 12-32; = Mc 10,16.21-23; = Durante uma tempestade Jesus está deitado sobre um travesseiro enquanto os apóstolos se inquietam : Mc 4, 38 ( cf. Mt 8, 24)
4- MARCOS se refere números – quando os outros evangelistas os silenciam:
- Mc 2,3 e Mt 9,2; Lc 5,18 Mc 14,30.72 e Mt 26,34.74; Lc 22,34.60
- Mc 5,13 e Mt 8,33 Mc 14,41 e Mt 26,45
- Mc 14,5 e Mt26,9 Mc 15,25 e Mt 27,33-35 ; Lc 23,33
Mas só MATEUS, o cobrador de impostos, refere o preço porque JESUS foi entregue aos carrascos: Mt 26,15; cf. Mc 14,11; Lc 22,5.
Em MARCOS a divindade de Jesus é especialmente realçada pela sua Humanidade.
MARCOS é tão destituído de artifícios ao apresentar JESUS que pôr vezes pode causar problemas aos interpretes.
Assim, pôr exemplo:
- em Mc 3,21: os parentes de JESUS dizem que “esta fora de si”. Esta afirmação foi entendida, pôr vezes, no sentido de que JESUS era doente mental. A interpretação é falsa, pois o verbo grego exeste significa “estar fora de si, das habituais normas de vida”; ora, segundo o contexto de MARCOS, JESUS chamava a atenção pôr seu grande zelo apostólico, que não lhe permitia encontrar tempo nem mesmo para comer;
- em Mc10,18 JESUS parece rejeitar o qualificativo “bom”, devido a DEUS só, como se JESUS não fosse DEUS. O texto paralelo de Mt 19,16s mudou a construção da frase. – Na verdade, JESUS em Mc 10,18 não queria dizer que ELE não é DEUS, mas quis levar o jovem a tirar as ultimas conseqüências da sua intuição: se havia reconhecido em JESUS algo que ultrapassava a bondade dos homens, compreendesse que JESUS é DEUS;
- EM Mc 6,5s lê-se que JESUS não pode fazer milagre em Nazaré, e admirava-se da pouca fé dos seus concidadãos. Observe-se que Mt 13,58 tirou as palavras ambíguas. Na verdade, JESUS tudo podia e sabia, como verdadeiro DEUS que é; o evangelista MARCOS, porem, se exprimiu de acordo com o modo de ver humano de um historiador.
Em Mc 13,32, o filho ignora a data do juízo final; Mt 24,36 atribui esse não saber aos anjos apenas. – Na verdade, JESUS tudo sabia como Deus, mas não estava dentro da sua missão de doutor dos homens comunicar a data do juízo final; MARCOS referiu-se a JESUS precisamente como MESTRE dos APOSTOLOS.
Ora estes traços difíceis e toscos de MARCOS, longe de diminuir o valor deste Evangelho, muito o aumentam. Mostram que MARCOS não usou de artifícios para recomendar a figura de JESUS; disse com simplicidade o que sabia, certo de que não era preciso “dourar a pílula” para apresentar JESUS.
Este era aceito pêlos cristãos como DEUS e homem. – Verifica-se que precisamente os apócrifos tentam embelezar ao máximo a figura de JESUS atribuindo-lhe atitudes maravilhosas e fantasistas, como se a fé em JESUS necessitasse de tais artifícios; estes são evidentes sinais da não-historicidade das narrações apócrifas, ao passo que a simplicidade de MARCOS abona a historicidade e fidelidade do evangelista.
É este mesmo MARCOS que apresenta JESUS como DEUS com clareza surpreendente. Assim, por exemplo,
Em 1,1: “inicio do Evangelho de JESUS CRISTO, filho de DEUS”;
Em 1,11; 9,7 é o Pai celeste quem proclama JESUS seu Filho bem- amado;
Em 13,32; 14,62: JESUS mesmo se diz o Filho de DEUS bendito;
Em 2,5.10-12: JESUS perdoa os pecados, e faz um milagre para provar que ELE pode usar desta prerrogativa de DEUS.
Para comprovar a Divindade de JESUS assim professada, MARCOS deixou falar a linguagem dos fatos: JESUS em MARCOS aparece a imperar a doença, a morte, aos demônios, aos homens, as forças da natureza, suscitando repetidamente admiração nos espectadores.
EM MARCOS JESUS É APRESENTADO COMO LEÃO DA TRIBO DE JUDA.
A tradição atribuiu a Marcos o símbolo do leão. Realmente, o Cristo descrito pôr S. Marcos é o “LEAO DA TRIBO DE JUDA”; é o lutador forte pôr excelência. Isto se percebe desde o inicio do Segundo Evangelho: após o batismo de JESUS, MARCOS reúne 5 casos de conflito do Senhor com os fariseus, após os quais resolvem condenar a morte o Mestre. Assim desde 3,6 JESUS é atingido pela sentença de morte; daí pôr diante ele trava a luta da vida contra a morte.
Observe-se os cincos casos:
1) 2,1-12: os adversários agridem Jesus pôr pensamentos; Mt 9, 1-8;
2) 2,13-17: agridem os discípulos de Jesus; cf. Mt 9,9-13;
3) 2,18-22: agridem Jesus a respeito dos discípulos; cf. Mt 9,14-17;
4) 2,23-28: agridem Jesus a respeito dos discípulos; cf. Mt 12,1-8;
5) 3,1-6: tramam a morte de Jesus; cf. Mt 12,9-14;
Para enfatizar a trangicidade da vida de Jesus, Marcos reuniu numa seqüência única dois blocos de conflitos que em Mateus ficaram separados ( Mt 9,1-17 e Mt 12,1-14).
A figura de Jesus, tratada tão vivazmente pelo segundo Evangelho, toma um caráter de grandeza e heroísmo notáveis.
PERGUNTAS
Lição 1 – Marcos, autor do 2º Evangelho
1) que relacionamento tinha Marcos com S. Pedro e com S. Paulo?
2) Cite e explique um testemunho antigo em favor de Marcos autor do 2º Evangelho.
3) Como Pedro é tratado no 2º Evangelho?
Lição 2 – Os destinatários de Marcos
1)como é que Marcos apresenta aos seus leitores as tradições judaicas?
2) que tipo de pagãos convertidos eram os destinatários de Marcos? Explique.
Lição 3 – A mensagem de Marcos
1) compare entre si Marcos e Mateus em três episódios comuns aos dois Evangelistas.
2) Indique algumas características de Jesus segundo Marcos.
3) Como é que Marcos apresenta a humanidade e a Divindade de Jesus? Explique.

