23/11/2007
Juizes – O Conteúdo dos Juizes
INTRODUÇÃO:
· os filhos de Israel não expulsaram os cananeus (1,1-3,6).
· Corpo do livro: história dos doze Ju ízes i 3,7- 16,311.
· Dois apêndices:
- a idolatria de Dã (17,1-18,31 )
- a luxúria dos benjaminitas (19,1-21,241).
Notemos: alguns problemas de redação:
- a breve notícia sobre Samgar (3,31) interrompe o relato que vai de 3,30 a 4,1;
- a história de Débora e Sarac é relatada em poesia (5,1 31), que parece mais presa aos acontecimentos, e em prosa (4,1-24), que põe mais em relevo o sentido religioso da história.
- as histórias de Abimelec (9.1-57) e de Jefté (10,6- 12,7) têm caráter antimonárquico, dando a ver as hesitações do povo,que também aspirava á monarquia (17,6; 18,1; 19.1: 21.24s).
Julga-se que o livro dos Juízes assim redigido resulta da compilação de documentos diversos feita no decorrer de séculos e terminada em sua forma atual na época de Esdras (séc. V a. C.).
Nesta fase da história era muito oportuno lembrar ao povo que voltava do exílio para sua terra: a infidelidade é penhor de desgraças; não existe vantagem em adotar costumes pagãos; o Senhor é sempre fiel às suas promessas e não abandona o seu povo. mesmo quando este O esquece.
A CABELEIRA DE SANSÃO
A história de Sansâo (Jz 13.17) nos diz que, enquanto Sansão tinha longa cabeleira, vencia seus inimigos; mas, desde que Ihe cortaram os cabelos, perdeu a sua força extraordinária.
Esta história é, à primeira vista, fabulosa. Todavia pode ser entendida dentro do quadro religioso de Israel.
Os israelitas praticavam o voto do nazìreato, que significava total consagração a Javé. Esta implicava que nem os cabelos do indivíduo poderiam ser cortados porque pertenciam ao Senhor.
O nazireu não poderia tomar vinho, nem suco de uvas nem comer uvas; não devia tocar cadáveres… Cf. Nm 6,1-21.
Ora Sansão foi consagrado a Deus como nazireu; cf. Jz 13,3 5. Enquanto ele foi fiel à sua consagração e tinha a cabeleira longa, o Senhor Ihe dava força para vencer qualquer inimigo: o seu poder lhe vinha de Deus e não dos cabelos (estes eram apenas um sinal da fidelidade de Sansão a Javé.
Eis, porém, que Sansão foi moralmente fraco e revelou o segredo da sua fortaleza a Dalila, mulher estrangeira, à qual se entregou indevidamente; Dalila então lhe cortou a cabeleira, o que era sinal da infidelidade interior de Sansão a Javé.
Em conseqüência, o Senhor já não deu ao herói a força necessária para o combate, de modo que Sansão foi vítima de seus inimigos filisteus. Vê-se, pois, que a história de Sansão nada tem de mitológico ou infantil.
É verdade que ela vem descrita com um tanto de humor ou sátira:
· Sansão incendeia os campos acendendo tochas presas às caudas de raposas ligadas em pares (Jz 15,1-8):
· Sansão arranca e carrega sobre os ombros as portas da cidade de Gaza [Jz 16,1-3).
Com outras palavras: o episódio de Sansão com comprova as palavras de São Paulo: “A força de Deus se manifesta plenamente na fraqueza do homem que se lhe confia (2Cor 12,9).

