23/11/2007

Josué -Introdução

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Josué era filho de Nun (Ex 33,11; Nm 11,28; 13,8.16), da tribo de Efraím (Nm 13,8).

Distinguiu-se no combate contra os amalecitas (Ex 17,8-16); acompanhou Moisés ao monte Sinai (Ex 24,13; 32,17); tomou parte na expedição de reconhecimento de Canaã (Nm 13.8; 14,38).

Guardou firme confiança no Senhor; por isto, Josué e Caleb foram os únicos homens que, tendo saído do Egito, entraram na Terra Prometida (Nm 14,30.38; 26,65; 32,12).

Moisés escolheu Josué como seu servidor (Ex 24,13), quando este era jovem (cf. 33,11).

Quando Moisés, perto de morrer, pediu ao Senhor que indicasse o seu sucessor, Javé designou Josué (Nm 27,15-23). Por conseguinte, após a morte de Moisés, a chefia do povo tocou a Josué.

Josué teve que exercer árdua missão, a saber:

· zelar pela observância da Lei,

· introduzir o povo na terra prometida, lutando contra os cananeus,

· e distribuir a terra entre as tribos de Israel.

Estes encargos tinham índole religiosa, pois eram etapas na organização do povo messiânico ou do povo que preparava a vinda do Messias. Josué revelou-se um chefe enérgico e tenaz, ao mesmo tempo que prudente.

O livro de Josué, descrevendo o cumprimento da obra de Josué, quer mostrar a indefectível fidelidade de Deus às suas promessas, fidelidade à qual o povo deve responder observando a aliança com o Senhor. Cf Js 1,6-9; 23s.

O livro de Josué vem a ser a continuação lógica do relato do Pentateuco.

Divide-se em três partes. após a introdução (1,1-18):

1) Ocupação da terra de Canaã: 2,1-12,24 - entrada em Canaã: 2,1-5,12- tomada de Canaã: 5,13-12,24

2) Distribuição da terra de Canaã: 13,1-22,34

3) Renovação da aliança com o Senhor: 23,1-24,33.

Muito dignos de nota são os capítulos finais (23s), que referem o testamento espiritual de Josué e a solene assembléia de Siquém.

A ORIGEM DE JOSUÉ

O título do livro não quer dizer que Josué seja o autor do mesmo, mas, sim, que o livro narra os feitos de Josué.

Os acontecimentos narrados no livro de Josué

A tradição dos judeus, talvez baseada em Eclo 46,1, atribuía o livro a Josué. Todavia o exame do texto mostra que é posterior a Josué, pois remonta o século 13 - (1200-1300 antes de Cristo).

Com efeito; no texto atual são narrados acontecimentos tardios ou são consideradas situações que só se tornaram reais num período de tempo mais ou menos longo após a morte de Josué; tenha-se em vista o seguinte:

· Js 24,29-33 narra a morte de Josué;

· a fórmula “até o dia de hoje’ supõe geralmente longo intervalo após os acontecimentos: Js 4,9; 5,9
9,27; 15,63;

· Js 13,30 menciona “as aldeias de Jair”. Ora Jair era um dos juizes, posterior a Josué (cf. Jz 10, 3-51.

Em conseqüência, o livro de Josué se deve a um escritor bem posterior, que utilizou e atualizou fontes antigas.

A antigüidade e a fidelidade dessas fontes nos são confirmadas pela arqueologia:

· esta ensina que Laquis foi destruída em 1230 aproximadamente (cf. Js 10,3.23-32); o mesmo se diga de Betel (Js 7,2; Js 17,22), Debir (Js 10,38), Hazor (Js 11,10)…

A situação política de Canaã suposta por Josué é confirmada por documentos profanos, como as tabuinhas de Tell-el-Amarna (séc. XVI e os documentos da XIX dinastia do Egito (1319-1200):

· assim a descrição da região em 13,2-6;

· os nomes dos habitantes em 3,10; 11,3;

· a existência de vários pequenos reinos em 1.1-5; 11,1-3; 12,1-24;

· as cidades fortificadas (6,1; 10,20; 11,13),

· os exércitos dotados de armas, carros e cavalos (10,2; 11,4; 17,18).

Pode-se admitir que muitos documentos-fontes tenham sido redigidos pouco depois dos acontecimentos (cf. Js 8.32; 10,13; 18,4).

Algumas descrições não foram escritas, mas ficaram na tradição oral; eram recitadas nos santuários de Gálgala, Silo e Siquém (cf. Js 4,20-25; 18,1-10; 24,1-13).

Esse material escrito e oral foi sendo reunido aos poucos entre Davi (século XI) e Josías (século VII).

Aqueles que recolheram tais documentos e Ihes deram a forma literária definitiva. tinham em vista fazer da história uma lição para o povo de Deus; sim, queriam mostrar que a fidelidade á Lei de Deus é penhor de bênçãos e prosperidade para Israel, ao passo que as transgressões acarretavam a desgraça e o castigo para o povo; cf. Js 1,8; 8,30-35; 21,43-45; 22,1-6;- 23,1-16.




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