07/10/2009
Historia da Igreja
Vejamos como o espírito religioso se manifestou no homem – no início da humanidade – e os desdobramentos que essa experiência provocou. O homem possui uma dimensão religiosa – inata – que faz parte de sua natureza e que o acompanha desde os primórdios, assim como possui o dom da inteligência. Essas duas categorias (dimensão religiosa e inteligência ) possibilitaram ao homem primitivo evoluir e transformar o mundo. Embora tivesse consciência das coisas à sua volta e delas se utilizasse, a exemplo da caça como alimento, da água , dos abrigos naturais para se proteger, ainda assim, o homem primitivo não conseguia respostas adequadas para os fenômenos com os quais convivia. Para ele tudo estava envolto em mistério . Seu comportamento era bastante mítico , porquanto acreditava e aceitava os fenômenos naturais ( raios, trovões e tempestades ) como se fossem manifestações divinas. “O homem é, indubitavelmente, o ser que em nosso mundo nasce mais indefeso. Basta compará-lo com os animais para comprová-lo .Isto que vale para cada indivíduo, vale também para a humanidade – considerada de maneira global .O homem nasceu desprotegido em meio a uma natureza segura, firme, poderosa e, mais de uma vez, também hostil. Só paulatinamente foi ele dando alguns passos, afirmou sua presença e procurou sobrepor-se à natureza”. Quanto mais primitivo o ser humano é – e mais indefeso – tanto mais concebe a realidade que o cerca – como uma imensa máquina cabendo a ele obedecer às forças da natureza. O homem primitivo por não possuir os segredos de seus determinismos – via-se submetido à natureza como um escravo e sua visão do mundo era totalmente mítica … “um homem com esta experiência da realidade em que vive submerso – concebe-a – facilmente como fatalidade. O mundo-natureza acolhe-o em seu regaço, dá-lhe de comer, de beber e o abriga. Em parte defende-o e em parte tiraniza-o ” . (Uma Igreja a Serviço dos Homens – L.Gallo-Edit D.Bosco, págs 22/23).Nesse clima de vivência, onde reinava o medo e o mistério – supomos – o homem devia sentir-se angustiado e amedrontado. É lícito admitir que o espírito de religiosidade no homem primitivo – de forma embrionária – assim como sua inteligência – desenvolveu-se pela necessidade dele encontrar explicações que o tranqüilizasse, que o ajudasse a combater a “ansiedade” que sentia – à falta de respostas para os fenômenos da natureza ( chuva, raio, trovão), geradores do medo e insegurança.Somente com o passar do tempo e a custo – o homem primitivo irá acumular experiência e conhecimentos racionais fazendo surgir, pela descoberta, os avanços da técnica , do plantio, da moradia fixa e as demais possibilidades de manipular e compreender, gradualmente, o seu “estar-no-mundo”. “No mundo antigo – assim como nas sociedades tradicionais de nossos dias, as pessoas tentavam explicar a geografia sagrada que os rodeava – afirmando que o mundo fora criado pelos deuses. Não era, portanto, território neutro : a paisagem tinha alguma coisa a dizer às pessoas. Ao contemplar o cosmo, homens e mulheres discerniram um nível de existência que transcende as fraquezas e limitações de suas vidas, uma dimensão mais completa, uma realidade ao mesmo tempo distinta e profundamente familiar. Para expressar essa afinidade com o reino do sagrado – muitas vezes o personificaram, concebendo-o como deuses e deusas com personalidade, atributos e índole semelhantes às suas. Porque sentiam esse elemento divino no mundo natural, associaram tais divindades também com o sol, o vento ou a chuva que dá vida. Contavam histórias sobre elas, não para relatar fatos que realmente aconteceram, mas para tentar expressar o mistério que percebiam no mundo. Acima de tudo, queriam viver o mais perto possível dessa realidade transcendente. Dizer que buscavam o significado da vida pode ser enganoso , pois sugere uma forma clara que resume a condição humana. O objetivo da procura religiosa sempre foi, na verdade, uma experiência, não uma mensagem. Queremos nos sentir verdadeiramente vivos e realizar o potencial de nossa humanidade, vivendo de modo a estar em sintonia com as correntes mais profundas da existência” (Karen Armostrong – “Jerusalém” – Cia das Letras – edição 2000 -pág. 29).De qualquer forma a insegurança e o medo são experiências sempre presentes na história do homem que se vê impulsionado a “desvelar” o seu ser. A esse respeito expressou-se o filósofo Platão , dizendo : “Surpreender-se é, por excelência , o sentimento metafísico”. Aristóteles – um outro filósofo – também reconheceu que : “ É pela surpresa que os homens, agora e desde a origem, primeiramente começaram a filosofar”. Nesse processo de crescimento expirencial o homem vai se desenvolvendo buscando as razões últimas da existência –, criando, em conseqüência – sistemas de crenças – de cerimônias e cultos – centrado na figura de um Ente Supremo, que ele passa a perceber mais claramente. Disso resultaram as primeiras formas de religião , de religiosidade

