14/12/2007
FILHO, homem não chora!
O dia termina.
O sol já se esconde entre as montanhas e uma brisa suave prepara-se para receber a noite. A escuridão assume mas permite que a luminosidade das estrelas apareça no céu..
Um carro se aproxima de uma casa. Ao volante, um homem com ar preocupado, denotando cansaço, manobra o veiculo estacionando na garagem.
Hoje foi dia difícil no trabalho, quase tudo deu errado, desgastando-o demasiadamente.
Seu desejo agora, é, tomar um banho e relaxar na frente da TV, vendo as noticias que, também, não devem ser muito boas.
Em casa, seus familiares também enfrentaram problemas. A mãe foi obrigada a “sair do sério” e aos gritos, no fim da tarde, mostrou todo seu descontentamento pelas notas ruins, que um dos três filhos do casal, tirou na escola. Também “perdeu” a paciência com o caçula, por causa do horário do banho. O filho do meio, em virtude da idade, enfrenta a fase das descobertas pessoais, cujas respostas não possui e isso o leva a ficar horas em frente da TV, procurar amigos na rua, na tentativa de compensar suas duvidas e ansiedade.
O serviço da casa, horário das refeições, ocuparam a maior parte do tempo da mãe, assim, não teve muito tempo, embora desejasse, “dar ouvidos” ao filho caçula, que alimentava o desejo de expor ao pai, assim que este chegasse em casa, suas duvidas e problemas.
No coração deste jovenzinho, este dia era ainda mais angustiante, as notas ruins da escola faziam-no experimentar o medo, misturado a incerteza. Várias foram as vezes que ouviu do pai: “Você tem que trabalhar, já esta na hora … vê se arruma algo para fazer e não vá me decepcionar !”
Situações como essa, causaram –lhe sensações de inutilidade, de que não é amado, como se não fizesse parte da família, como uma “coisa” ruim, sem conserto, um objeto que deve ser tolerado. E hoje vai ser um dia daqueles, quando o pai tomar conhecimento de suas notas escolares… “Tomara que ele esteja de bom humor!”
O som de fechar a porta do carro, ressoa lá fora, anunciando que o pai chegou: “e agora”? corro ao encontro, espero, me escondo ? que devo fazer meu Deus ? pensa confuso o jovem. Seu batimento cardíaco aumenta…suas emoções estão todas misturadas, imobilizando-o. A pressão que toma conta do seu interior é tanta, que provoca um choro espremido.
A porta da sala se abre, e o pai vai logo dizendo em voz alta:
- Oi mulher, tem algo pra comer, estou com uma fome de leão.
Deixando seus pertences pessoais no sofá da sala, dirige-se à cozinha, abre a geladeira, pega um cerveja, e ouve da esposa:
- Nosso filho não está bem, está cheio de problema, você precisa falar com ele”.
O filho caçula, desce as escadas , querendo falar com o pai, querendo ouvir dele um “OI” um “OLÁ” apenas.
Ao ouvir a esposa, o pai reclama:
- Nem cheguei e já encontro problemas ? Tô fora o dia todo e vocês ficam em casa sem fazer nada e ainda por cima sou recebido com problemas ? Resolva você”.
Aproximando do marido, a mulher insiste:
- Mas querido… ele está muito abatido, andou chorando sem motivos e necessita desabafar !”
- Homem que é homem não chora” diz o pai.
Na sala o filho escuta sufoca o choro, tenta esconder as emoções e, se afasta para o quarto. Vai “fugir”, se esconder de novo. Ele não tem mais que 18 anos, sombras no seu rosto, mostra sinais da barba por nascer. O mesmo ocorre com sua voz que começa a mudar de tom.
Este “homem-menino”, é tão criança que sente-se sozinho no mundo, anseia pela atenção do pai para ouvi-lo. Na cozinha ressoa mais alto a voz do pai: “E veja se para com essa choradeira, parece maricas”. O ambiente é invadido por um silêncio, não tão grande como ocorre com o interior do jovem, sufocado pelo medo, inutilidade, raiva, desânimo e uma mistura confusa de sentimentos.
Reflexão Efesios 6, 4)
1 - Quando nossos filhos precisam de atenção, que atitudes tomamos ?
2 - Conhecemos os sonhos, desejos e projetos de nossos filhos?
3- Como reagimos as ‘falhas” ou fraquezas de nossos filhos ?


gosto muito de ler estes comentários (ensinamentos). Sempre dá resultado. Continue pois tem nos dado grandes ensinamentos. Deus te abencoe.