23/12/2009
Falar em Línguas é o mesmo que falar na Língua dos Anjos?
Essa objeção tem origem numa especulação indevida das seguintes palavras de S. Paulo: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine” (1Cor 13,1). S. Tomás de Aquino comentando 1Cor 13,1-3 nos ensina: “[...] Vejamos agora o que se entende por “língua dos anjos”, pois sendo a língua um membro do corpo, a cujo uso pertence o dom de língua, que às vezes se chama “língua”- nem uma coisa nem outra parece ter a ver com os anjos, que não possuem membros. Pode-se dizer então que por “anjos” deve-se entender os homens com “ofício de anjos”, isto é, os que anunciam as coisas divinas a outros homens, como diz Malaquias: “Nos lábios do sacerdote deve estar o depósito da ciência e de sua boca será aprendida a Lei, visto que ele é o anjo do Senhor dos exércitos” (Mal. 2,7), de maneira que, neste sentido, se diz: “se eu falasse as línguas de todos os homens ou a língua angélica”, ou seja, se falasse “como aqueles que ensinam os outros, não apenas os mestres das primeiras letras, mas também os doutores’” Pode-se também entender o texto: “fazes com que teus anjos sejam como os ventos” (Salmo 103), que os anjos incorpóreos, ainda sem língua material, a possuem por semelhança. O que aprendemos é que falar na língua dos anjos é falar em termos mais elevados. É como se o Apóstolo tivesse dito: “ainda que eu falasse a língua dos simples e dos doutores”. S. Paulo refere-se ao nível do aprofundamento do anúncio e não a um pseudo-idioma dos anjos. Sendo assim, usar termos “vamos orar na linguagem dos anjos” não é correto, pois esta atribuindo um desvalor ao Dom do Espírito Santo, dom de edificação pessoal, que confirma os outros Dons.

