05/12/2007
Crises no Casamento
O matrimônio deteriora-se quando não se renova, quando se permite que entre nos trilhos da rotina. Há uma rotina indispensável e benéfica que nos permite cumprir com regularidade, constância e pontualidade os nossos deveres espirituais, familiares e profissionais. Esta rotina constrói uma estrutura de vida sólida, cria um comportamento homogêneo que nos ajuda a libertar-nos da espontaneidade meramente anárquica, dos caprichos emocionais dissolventes e perniciosos.
Mas existe uma outra rotina, a rotina mortífera, que deve ser afastada como a peste. É uma rotina que, pouco a pouco, como uma sanguessuga, vai dessangrando o convívio conjugal. Todos os dias um pouco. Imperceptivelmente, endurece-nos, converte os nossos atos em algo mecânico, torna-nos autômatos, robôs sem vida, extingue o calor e a alegria de viver e de amar. Esta rotina provoca um desgaste progressivo na vida familiar, uma perda de energias, uma espécie de anemia vital que torna a existência cinzenta, anódina, incolor.
Lembra daquela música dos anos 60 cantada por Ronnie Von: “A mesma praça, os mesmos bancos, as mesmas flores, o mesmo jardim, tudo é igual, assim tão triste…” Alguns poderiam queixar-se, de forma semelhante: “A mesma esposa, a mesma família, o mesmo trabalho, a mesma paisagem, a mesma “droga de sempre”… É tudo tão triste e cansativo…” Talvez se consiga continuar caminhando mesmo assim. Externamente, o casal vai mantendo as aparências, como um móvel visitado pelo cupim, corroído por dentro.
Por fora, nada se percebe, mas de repente tudo desmorona, os cenários desabam, as fachadas caem e aparece um panorama desolador: “Meu Deus, toda a minha vida, daqui para a frente, vai ser igual”… E entra-se numa espécie de letargia mortífera. Muitas infelicidades, muitas crises conjugais, muitas deserções são provocadas por esse fenômeno. Quando na nossa vida diária não “contemplamos o amor”, não renovamos o amor, caímos nessa rotina que mata.
Os mesmos bancos, as mesmas flores, o mesmo jardim, a pesada monotonia do que é sempre igual, deve-se – como dizia ainda a canção – a que “não tenho você perto de mim”. Quando o amor está ausente, tudo é tão triste…! Você talvez já tenha passado por uma experiência parecida. Estava trabalhando numa tarefa extremamente enfadonha, repetitiva, rotineira… e pensava: “Tomara que termine logo”… De repente, alguém que você ama muito pôs-se ao seu lado e disse-lhe: “Deixe que lhe dê uma mão. Ao menos, deixe-me ficar com você até terminar”… E, naquele momento, você murmurou: “Tomara que não termine nunca!” As mesmas circunstâncias mudam substancialmente quando o amor está presente. A mesma família, a mesma esposa…, mas tudo é diferente porque se soube remoçar o amor. Pelo amor ao cônjuge e aos filhos, conseguem enxergar uma nova família, uma nova esposa, um novo trabalho todos os dias.
Comentários desativados

