07/01/2009

Carismáticos – Mudança de paradigma?

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Renovação Carismática Católica

 

Os carismáticos estão “mudando de “paradigma”“? Esta havendo mudança do pensamento carismático no presente? Onde estão as grandes manifestações do Espírito? Onde estão os sinais “pentecostais”? Observando o tempo presente em relação ao inicio de nossa caminhada e descoberta dos Carismas e a experiência pessoal de Jesus Cristo, que mudou de forma radical nossa vida, nosso paradigma, notamos que algo esta ocorrendo, tomando um rumo “novo”, uma mudança de paradigma. A expressão “mudança de paradigma” é freqüentemente usada pelos historiadores da filosofia. Na Grécia antiga, os filósofos pré-socráticos, também denominados de “naturalistas”, preocupavam-se em dar explicações sobre o “arché”, ou princípio de todas as coisas. Para Tales de Mileto, (70 a.C), esse princípio, do qual todas as coisas derivaram, era a “água”. Anaximandro, (70 e 60 a.C.), o “apeíron”, ou o ilimitado, explicaria a origem de todas as coisas. Anaxímenes afirmava “ar” e não a água, era o “arché” de todas as coisas. A grande mudança no pensamento grego, veio com os “sofistas” (os sábios). Com a escola sofística, “o homem” e não “o cosmo”, passou a ser o centro do Universo. Protágoras de Abdera (491 e 481 a.C), afirmou ser “o homem a medida de todas as coisas” e a visão de mundo deixou de ser cosmocêntrica para se tornar antropocêntrica. O homem agora passava a ser o centro das atenções na filosofia ocidental. A diferença entre a mudança de paradigma do pensamento grego para o carismático é que aquele foi uma mudança que provocou um progresso na civilização, enquanto este hoje não. Em 1974 a RCC abandonou o termo pentecostal por outro mais neutro: carismático, para não ser confundido com os pentecostais mais antigos. Não tem fundamento á diferença entre os termos “pentecostal” e “carismático”, uma vez que as palavras pentecostal e carismático podem ser vista nas Bíblia como sinônimas. Suas diferenças são puramente didáticas. A palavra pentecostal, aplicada no início da vinda do Espírito Santo, conforme o livro de Atos 2, 4 posteriormente tornou-se sinônimo dos carismas desse mesmo Espírito. O termo “pentecostal”, derivado de “pentecoste”, é uma tradução grega para a palavra hebraica shavuot (semanas), uma das mais importantes festas do judaísmo antigo. Os judeus helenistas que só utilizavam o idioma grego chamavam o shavuot de “pentecostes” (do grego, Pente Kostus, que significa “qüinquagésimo”) porque era festejado cinqüenta dias após a oferenda do molho de cevada que se fazia no Templo de Jerusalém, no segundo dia de Pessach “(páscoa)”. Como o derramamento do Espírito Santo (At. 2,1-4) aconteceu nesse dia, o termo “pentecostal” ficou associado às manifestações do Espírito de Deus. Para os cristãos primitivos Pentecostes significava, primeiramente, o derramamento do Espírito que Deus prometeu para os tempos do fim. As manifestações carismáticas que se atribuíam ao Espírito de Deus era um aspecto distintivo e importante do cristianismo palestino mais primitivo, bem como do cristianismo helenístico posterior  – (período da história da Grécia desde Alexandre -356-326 a.C- até a conquista romana).  Em Atos 20,16 a igreja em Jerusalém observava o Pentecostes como aniversário do derramamento do Espírito. Por outro lado, o termo carismático, que vem do grego charismatón (derivado de charizomai – “dom”, “graça”), aparece na primeira carta aos Coríntios (12, 4), quando Paulo usa o termo para também se referir às manifestações do Espírito Santo na Igreja. A palavra carisma significa um favor concedido ou recebido sem um mérito. O charismaton passou a ser um termo também usado para os dons do Espírito Santo. A Renovação Será que estamos perdendo a identidade pentecostal que caracterizou o inicio? Notamos que a manifestação do Espírito está ficando isolada em alguns “privilegiados”. Sem deixar de ser Igreja Católica, as participações ativas e festivas nas celebrações Eucarísticas, à volta ao sacramento da penitencia, as reuniões em qualquer hora, tempo e lugar, atraiam outros para uma experiência pentecostal – carismática em suas vidas e às vezes até “incomodavam” com sua forma de ser. Lembramos aqui de tia Laura. Conheceu-a? conhece sua história? Tivemos a graça de conhecê-la pessoalmente, participar de seu grupo de oração, se alimentado da Palavra de Deus, tão abem conduzida, sem muita pompa, onde ao final da reunião, um Pai Nosso, era o sinal de cura e libertação para muitos participantes, sem necessidade de grandes alaridos ou destaques humanos. Milhares de pessoas ali se curavam de seus males físicos e psicológicos, buscavam ajuda e encontravam como Sergio Reis, “Mequinho” (campeão mundial de xadrez) entre outros, que mudaram suas vidas radicalmente para uma verdadeira participação católica. Nesse tempo, não havia disputa por “cargos”, mas um mínimo de organização onde a primeira preocupação era formar e fazer discípulos de Jesus. Podemos, salvo melhor análise, citar alguns princípios que podem ter afetado nossa mudança de paradigma: primeiro – por falta de conhecimento e alheios ás orientações da CNBB, muitos padres “impediram e impedem” a manifestação de direito e liberdade, recusando a presença da RCC ou seus encontros em suas paróquias. (leia-se parágrafo 25, da 32ª Assembléia Geral da CNBB, orientações pastorais: “Deve-se reconhecer a legitimidade de encontros e reuniões específicos da RCC, nos quais seus membros buscam aprofundar sua espiritualidade e métodos próprios, dentro da doutrina da fé e da grande comunhão da Igreja Católica”. Segundo – nos reduzimos a um movimento só de cura e libertação, Missa de cura (?) e muitos não tem a experiência pessoal de Jesus em suas vidas. Terceiro – nos enchemos de “serviços” na Igreja, perdendo o chamado e os compromissos na RCC, abafando os carismas, por sermos muitas vezes questionados que só “rezávamos” e não assumíamos nenhuma pastoral e acabamos agradando a “homens” e não a Deus. Quem esta na RCC por si só já é membro de uma pastoral de evangelização - “O vigor e os frutos da Renovação – certamente dão testemunho da presença poderosa do Espírito Santo na Igreja durante esses anos que se seguiram após o Concílio Vaticano II. É claro que o Espírito tem guiado a Igreja por todo esse tempo fazendo brotar uma grande variedade de dons entre os fiéis. Graças ao Espírito, a Igreja mantém constantemente sua jovialidade e vitalidade. E a Renovação Carismática é uma manifestação eloqüente desta vitalidade nos dias de hoje….” disse Sua Santidade João Paulo II aos participantes do 6º Congresso Internacional da Renovação Carismática em 15 de Maio de 1987. Modernizar, acompanhar o progresso e os sinais dos tempos se faz necessário e urgente usando de todos os meios para fazer a vontade de Deus, mas para que os frutos apareçam e a Igreja se torne forte, com testemunho e qualidade de seus fieis, não se deve perder o “sabor” da humildade da manjedoura, nem tampouco o calor de pentecostes. “Lembra-te, pois, onde caíste. Arrepende-te e retorna as tuas primeiras obras” (Ap. 2, 5). Voltemos todos à Jerusalém. No andar de cima, rogando a Deus: ‘Renova em nós O Seu Espírito”.

 

Henrique Santos Filho

Fundador da Comunidade Anuncia-Me

 

 

 

 

 

 




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