02/03/2008
Bento XVI: acompanhar doentes terminais, dever da Igreja e da sociedade
Confirma a condenação de «toda forma de eutanásia direta»
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 – O acompanhamento carinhoso dos doentes terminais constitui um dever tanto para a Igreja como para a sociedade, considera Bento XVI.
O Papa condenou «toda forma de eutanásia direta» ao receber ontem os participantes no congresso sobre o tema «Junto ao enfermo incurável e ao moribundo: orientações éticas e operativas», convocado pela Academia Pontifícia para a Vida.
«Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de ajudar, mediante a compaixão, a que o sofrimento seja compartilhado e levado também interiormente, é uma sociedade cruel e inumana», explicou o Papa.
«A comunidade cristã, com seus vínculos particulares de comunhão sobrenatural, não é a única que está comprometida em acompanhar e celebrar em seus membros o mistério da dor e da morte e a aurora da nova vida», afirmou.
Na realidade, continuou dizendo, «toda a sociedade, através de suas instituições de saúde e civis, está chamada a respeitar a vida e a dignidade do doente grave e do moribundo».
Por isso, declarou, «toda a sociedade, e em particular os setores relacionados com a ciência médica, devem expressar a solidariedade do amor, a salvaguarda e o respeito da vida humana em todos os momentos de seu desenvolvimento terreno, sobretudo quando padece uma doença ou se encontra em sua fase terminal».
Mais concretamente, sublinhou, «trata-se de assegurar a toda pessoa que precise o apoio necessário por meio de terapias e intervenções médicas adequadas, administradas segundo os critérios da proporcionalidade médica, sempre levando em conta o dever moral de ministrar (por parte do médico) e de acolher (por parte do paciente) aqueles meios de preservação da vida que, na situação concreta, são ‘ordinários’».
Pelo contrário, no que se refere às terapias consideradas arriscadas ou que possam julgar-se prudentemente como «extraordinárias», o bispo de Roma explicou que «recorrer a elas é moralmente lícito, ainda que facultativo».
«Também – exigiu –, é necessário assegurar sempre a cada pessoa os cuidados necessários e devidos, além do apoio às famílias mais provadas pela enfermidade de um de seus membros, sobretudo se é grave ou se prolonga.»
«Nas grandes cidades, há cada vez mais pessoas idosas e sozinhas, inclusive nos momentos de doença grave e de proximidade da morte», constatou.
Nestas situações, reconheceu, «tornam-se agudas as pressões da eutanásia, sobretudo quando se insinua uma visão utilitarista em relação à pessoa. Aproveito esta oportunidade para recordar, mais uma vez, a firme e constante condenação ética de toda forma de eutanásia direta, segundo o ensinamento tradicional da Igreja».
Por este motivo, pediu unir a «sinergia», «da sociedade civil e da comunidade dos crentes» para que «todos possam não só viver com dignidade e responsavelmente, mas também atravessar o momento da prova e da morte na melhor condição de fraternidade e solidariedade, inclusive quando a morte se dá em uma família pobre ou no leito de um hospital».
A sociedade, indicou, «deve assegurar o devido apoio às famílias que querem atender em casa, durante longos períodos, os doentes afligidos por patologias degenerativas (tumores, doenças degenerativas, etc) ou necessitados de uma assistência particularmente comprometedora».
De maneira especial, concluiu, «é necessário o compromisso de todas as forças vivas e responsáveis da sociedade com essas instituições de assistência específica, que precisam de uma equipe numerosa e especializada, assim como equipamentos particularmente caros».

